Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

Nota de Esclarecimento sobre embolização das artérias prostáticas


NOTA DE ESCLARECIMENTO
 
Embolização das artérias prostáticas para o tratamento da hiperplasia prostática benigna

Nos últimos seis anos, a técnica de embolização das artérias prostáticas (EAP) vem sendo pesquisada e desenvolvida com o objetivo de se tornar uma opção terapêutica, dentro do arsenal existente, no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB).


REPERCUSSÃO MUNDIAL

Devido aos resultados iniciais surpreendentes e animadores das pesquisas científicas realizadas no Brasil (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP), pioneiro na técnica, e em Portugal, o assunto EAP ganhou destaque, sobretudo, em congressos importantes da nossa especialidade – Radiologia Intervencionista - no cenário nacional e internacional como SOBRICE, CIRSE, SIR.


BONS RESULTADOS

Os resultados obtidos pelos pesquisadores até o momento a partir de séries de casos e estudos tipo coorte, prospectivos, cujo objetivo foi realizar a EAP em um grupo de pacientes com características semelhantes (idade, volume prostático, escore de sintomas, qualidade de vida, obstrução infravesical e etc) e acompanhá-los ao longo do tempo concluíram que, a técnica da EAP é: a) viável e segura; b) não prejudica a função sexual; c) melhora os sintomas do trato urinário baixo (STUB) e a qualidade de vida (QoL) a curto e médio prazos; d) reduz 30 a 35% do volume prostático em média e) reduz o PSA (prostatic specific antigen) em 100%; f) melhora o pico de fluxo máximo na fase miccional da urodinâmica. Entretanto, 30% dos pacientes submetidos à EAP permanecem obstruídos (obstrução infra-vesical verificada por estudo urodinâmico) após o procedimento, apesar de referirem melhora clínica, da qualidade de vida e redução volumétrica da próstata.


VANTAGENS COMPROVADAS DA EAP SOBRE OUTROS MÉTODOS TERAPÊUTICOS

Procedimento minimamente invasivo que pode ser executado com anestesia loco-regional, na região inguinal, em regime de hospital dia; não há manipulação do pênis e da uretra (evitando-se a estenose de uretra); não altera a função sexual (impotência); não provoca ejaculação retrógrada; não causa incontinência urinária; não há perda sanguínea, evitando-se transfusões sanguíneas; pode ser aplicada em próstatas de qualquer tamanho (não há restrição de volume).


O QUE AINDA PRECISA SER PROVADO?

Justamente por ser uma técnica ainda em desenvolvimento, realizada apenas por poucos centros no mundo, falta demonstrar a reprodutibilidade do método por outros centros especializados para que a técnica se consagre. Além disso, ainda não existem resultados que comprovem a eficácia da técnica no longo prazo. O tempo se encarregará de mostrar!

Quanto à eficácia da EAP, ser ou não melhor ou igual ao tratamento padrão ouro, ressecção endoscópica transuretral da próstata (RTU), no tratamento da HPB não existem muitos estudos publicados comparando as duas técnicas. Aliás, só existe um estudo chinês, prospectivo, randomizado e controlado, com 114 pacientes, recentemente, 2014, publicado na revista Radiology, comparando os dois métodos terapêuticos, RTU versus EAP. Os autores concluíram que os dois métodos melhoram significativamente os STUB, a QoL, os parâmetros urodinâmicos e o PSA, com uma vantagem nos resultados obtidos para a RTU. Também chamou atenção para complexidade técnica da EAP e como isso pode influenciar nos resultados técnicos e clínicos.


POLÊMICAS À PARTE

Todos esses resultados positivos comprovados e vivenciados por um tratamento novo e promissor deveriam ser motivo de comemoração pela comunidade médica-científica e, sobretudo pelos pacientes, maiores beneficiados pelos desenvolvimentos de novas técnicas minimamente invasivas para o tratamento de doenças. A maneira com que as notícias foram veiculadas na mídia impressa, televisiva, rádio e internet acaloraram as discussões científicas entre as especialidades interessadas no assunto, quais sejam, Radiologia Intervencionista e Urologia. O que poderia acarretar, de alguma maneira, em retardo no andamento dos estudos sobre a técnica de EAP para o tratamento da HPB.

Sim, é verdade que ainda não temos resultados publicados na literatura com nível de evidência A para a EAP, porém existem bons resultados comprovados cientificamente. Paralelo a isso, pesquisa conduzida por alguns centros americanos em parceria com o FDA (NCT01924988) visa comprovar a segurança e os bons resultados obtidos pela técnica. Resultados são esperados até 2019.

Ainda é cedo para afirmarmos que a EAP é ou será o tratamento padrão ouro para a HPB, muito provavelmente não será. Mas, é inegável que por ser um procedimento minimamente invasivo e, sobretudo, por não haver manipulação do órgão genital masculino, seja um método terapêutico bastante atrativo para os pacientes no combate à HPB.


PARECER FAVORÁVEL À EAP EXPEDIDO PELO CFM

Nesse sentido, em 28 de novembro de 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o parecer 29/2013, e reconheceu a eficácia da EAP para o tratamento da HPB. Afirmou ainda, em publicação do dia 08 de janeiro de 2014, que a aprovação desse parecer “abre perspectivas para que os brasileiros diagnosticados com hiperplasia prostática benigna contem com mais uma alternativa de tratamento: a embolização das artérias da próstata”.

Agora em 2014, o CFM pretende editar uma resolução específica sobre o procedimento. E para isso se reunirá com as sociedades interessadas, SOBRICE e SBU. Após a aprovação dessa resolução, outros centros brasileiros, além da FMUSP, poderão oferecer a EAP como alternativa de tratamento para HPB. Os radiologistas intervencionistas que executarão esses procedimentos deverão receber treinamento específico em centros de excelência devidamente autorizados pelo CFM e credenciados pela SOBRICE.


SESSÃO PLENÁRIA SOBRE EAP NO CONGRESSO DA SOBRICE 2014

A SOBRICE convida a todos para participar da sessão plenária que ocorrerá durante o seu Congresso de 2014, a se realizar em Campinas nos dias 7, 8 e 9 de maio, para discutir esse assunto. Esperamos todos lá!


Saudações intervencionistas,
Diretoria
Biênio 2013-2014



LEITURA RECOMENDADA:
 
Carnevale FC, Antunes AA, Motta-Leal-Filho JM et al. Cardiovasc Interv Radiol. 2010; 33:355-361.
Carnevale FC, Motta-Leal-Filho JM, Antunes AA et al. Cardiovasc Interv Radiol. 2011; 34:1111-1113.
Pisco JM et al. J Vasc Interv Radiol. 2011; 22:11-19.
Pisco JM et al. Tech Vasc Interv Radiol. 2012; 15:255
Rio Tinto H, Pisco JM et al. Tech Vasc Interv Radiol. 2012; 15:290-293.
Fernandes L, Pisco JM et al. Tech Vasc Interv Radiol. 2012; 15:294-299.
Carnevale FC, Motta-Leal-Filho JM et al. J Vasc Interv Radiol. 2013; 24:535-542.
Antunes AA, Carnevale FC, Motta-Leal-Filho JM et al. Cardiovasc Interv Radiol. 2013; 36:978-986.
Pisco JM et al. Eur Radiol. 2013; 23:2561-74.
Pisco JM et al. Radiology. 2013; 266:668-677.
Bilhim T, Pisco JM et al. Cardiovasc Interv Radiol. 2013; 36:403-11.
Bagla S et al. J Vasc Interv Radiol. 2014; 25:47-52.
Gao Y et al. Radiology. 2014; 270:920-8.
Parecer do CFM. Embolização de artérias prostáticas. 2013 (clique aqui).
 

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