Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

Câncer de intestino: como a Radiologia Intervencionista pode ajudar?




Capaz de tratar diversos tipos de tumores malignos com bastante sucesso, a Radiologia Intervencionista também pode ser bastante eficiente quando o assunto é o tratamento do câncer de intestino. Para entender como esse processo todo funciona e quais são os resultados esperados, entrevistamos o Radiologista Intervencionista da Equipe IntervIR de Porto Alegre (RS), Dr. Ênio Ziemiecki Junior.

A entrevista está imperdível, confira!          

SOBRICE. Dr. Ênio, quais os principais tratamentos contra o câncer de intestino?
Dr. Ênio Ziemiecki.  Existem várias opções de tratamento para o câncer de Intestino nos dias de hoje e sua escolha depende do estágio em que se diagnostica a doença. Para determinar o estágio, os médicos analisam o tamanho, a localização e a extensão do tumor. Entre os principais tratamentos podemos destacar o tratamento cirúrgico, onde é feita a excisão do tumor e dos gânglios linfáticos, sendo o tratamento de escolha, quando possível. Outras opções de tratamento que podem ser feitas em associação ou não com o tratamento cirúrgico são a radioterapia e quimioterapia.
 
SOBRICE. Em quais casos o câncer de intestino pode ser tratado por meio da Radiologia Intervencionista?
Dr. Ênio Ziemiecki. A Radiologia Intervencionista possui um papel fundamental no tratamento do câncer de intestino e em outros tratamentos oncológicos, já que atuamos junto com o médico oncologista ou cirurgião oncológico desde o diagnóstico, e também traçando com eles e os pacientes as melhores estratégias terapêuticas. Particularmente, no câncer de intestino atuamos em estágios mais avançados da doença, principalmente quando há a presença de metástases hepáticas e pulmonares. Salientando que infelizmente, aproximadamente 75% dos pacientes no momento do diagnóstico já apresentam doença em outros órgãos além do intestino, o que torna muito importante a conscientização dos pacientes, sobretudo, os que possuem história familiar, a realizarem exames de diagnóstico precoce.

SOBRICE. Quais as vantagens de se tratar o câncer de intestino por meio da Radiologia Intervencionista em detrimento dos procedimentos tradicionais?
Dr. Ênio Ziemiecki. Podemos proporcionar vários benefícios aos pacientes, já que utilizamos métodos de imagem avançados que nos permitem realizar tratamentos precisos. Com um pequeno corte na pele, conseguimos oferecer diferentes técnicas de tratamento (procedimentos minimamente invasivos). Sendo assim, muitos deles são tolerados somente com anestesia local ou com sedação consciente, já que geram menos dor e também tornam as internações mais curtas e consequentemente, proporcionam retorno rápido às atividades ou junto ao convívio familiar.
Penso ainda, que o maior benefício que oferecemos é poder ofertar tratamento a pacientes muito doentes e inaptos para a cirurgia.

SOBRICE. Quais métodos da Radiologia Intervencionista são empregados para o tratamento desse tipo de câncer?
Dr. Ênio Ziemiecki. As principais terapias que os radiologistas intervencionistas podem oferecer são a ablação térmica, a quimioembolização hepática, a radioembolização hepática e a quimioterapia intra-arterial. Todas essas técnicas de diferentes maneiras visam o controle da doença em estágios em que ela não está restrita ao intestino e também está acometendo outros órgãos, mais frequentemente, fígado e pulmões. Nesses casos, podemos, por exemplo, usar as técnicas de ablações térmicas, onde por meio de uma pequena incisão, coloca-se uma agulha no interior da lesão e esse dispositivo gera calor (radiofrequência e microondas) ou frio (crioablação) levando à destruição das células malignas.
Os procedimentos de quimioembolização, radioembolização e quimioterapia intra-arterial são realizados nas salas de hemodinâmica dos Hospitais. Assim, através dos feixes de Raio -X conseguimos guiar cateteres pelo interior dos vasos e realizar esses tipos de tratamento que visam a obstruir o fluxo de sangue para a lesão e/ou aumentar a concentração de quimioterápicos diretamente na lesão.

SOBRICE. Quais os principais efeitos colaterais?
Dr. Ênio Ziemiecki. Como todos os procedimentos realizados por qualquer especialidade da Medicina, os nossos procedimentos também podem determinar aparecimento de efeitos colaterais ou complicações. Por exemplo, nos casos em que a técnica de embolização é empregada, pode acontecer a “Síndrome Pós-Embolização” que se caracteriza por desconforto abdominal, febre baixa, náuseas e vômitos, fadiga e mal-estar. É importante frisar, no entanto, que por tratarem-se de técnicas minimamente invasivas esses efeitos geralmente são auto-limitados, resolvendo-se com uso de medicações analgésicas e cuidados que orientamos no pós-procedimento. A ocorrência de complicações graves, segundo a literatura médica é considerada rara.

SOBRICE. Qual o tempo médio de recuperação de um paciente com câncer de intestino, que passa por um procedimento da Radiologia Intervencionista? Em comparação com pacientes que passam por procedimentos tradicionais, qual técnica apresenta menor tempo de recuperação?
Dr. Ênio Ziemiecki. Sem dúvida, a técnica que apresenta recuperação mais rápida mostra-se presente quando usamos as ablações térmicas, em comparação às cirurgias de ressecção de tumores metastáticos situados no fígado ou pulmão. Frequentemente, esses pacientes permanecem hospitalizados por 24 horas ou em alguns casos fazem o procedimento de maneira ambulatorial. No atual contexto, onde os médicos dispõem de um leque de opções de tratamento, as principais instituições de saúde possuem grupos de discussões (tumor board), onde especialistas discutem sobre as melhores técnicas para alcançar melhores resultados. Sendo assim, a escolha da técnica passa por avaliação de vários critérios, desde o controle do tumor, taxa de resposta, qualidade de vida, entre outros.

SOBRICE. Quais as chances de cura de um paciente com câncer de intestino que se submete aos procedimentos da Radiologia Intervencionista?
Dr. Ênio ZiemieckiA cirurgia é ainda a melhor alternativa em relação à sobrevida e resultados em longo prazo no câncer de intestino, devendo ser a terapia de escolha para o tratamento dos pacientes com essa condição. Se o paciente não possui condições clínicas devido a outras doenças ou não quer realizar procedimentos cirúrgicos, os métodos que utilizamos passam a ser fortes alternativas para o controle da doença.

SOBRICE. Quais são as principais atitudes preventivas que uma pessoa pode levar à frente, a fim de não ser impactada por esse tipo de câncer? Existem fatores de risco?
Dr. Ênio ZiemieckiComo destacamos anteriormente a prevenção é, sem dúvida, a melhor estratégia no combate a essa doença. Isso inclui medidas, como a manutenção do peso corporal, alimentação saudável, prática de atividade física rotineira. Além disso, realizar investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos também é de grande importância.
Os fatores de risco são: idade acima de 50 anos, excesso de peso corporal, alimentação não saudável, história de câncer de intestino, história pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
No Brasil, recomenda-se que o rastreamento seja iniciado aos 50 anos para pessoas sem fatores de risco. Já pessoas com fatores de risco ou história familiar devem iniciar a investigação antes dos 45 anos.  

SOBRICE. Quais os principais sintomas relacionadas ao câncer de intestino? 
Dr. Ênio Ziemiecki. Os principais sinais e sintomas são pouco específicos, ou seja, podem acontecer também em outras situações, por isso devem ser investigados por um médico, principalmente se persistirem por alguns dias. Destacam-se o surgimento de sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem explicação, anemia, mudança de hábito intestinal e massa (tumoração) abdominal.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
    
 

Posts Relacionados

PRÊMIO JOVEM INTERVENCIONISTA

Reduzir ainda mais a dose de radiação nos procedimentos médicos é possível?

ABLAÇÃO DE OSTEOMA OSTEÓIDE ENTRA NO ROL DA ANS EM 2018

ABLAÇÃO DE OSTEOMA OSTEÓIDE É UM DOS 18 CÓDIGOS QUE SERÃO INCORPORADOS AO ROL DA ANS EM 2018.

A INCONGRUÊNCIA DA RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA E O SUS

"O SUS esta´ completando 30 anos e precisa ser novamente avaliado e talvez repensado"

Veja o que estão falando

0 Comentário(s)

Deixe um Comentário